Pensão: O pai não quer pagar o correto mas vive uma vida de rico?

Segundo Luiza, hoje é o dia mais feliz da vida dela, dia em que depois de oito anos de namoro,  casa-se com Paulo. Toda a família reunida, uma linda festa e a certeza de que de agora em diante, construirá a família que sempre sonhou.

Viajaram para lua de mel e qual não foi a surpresa? Luiza voltou grávida! O casal e a família não conseguem se conter de tanta felicidade. Na verdade, como eles já tinham muito tempo de namoro, só estavam mesmo aguardando oficializar a relação para encomendarem o primeiro herdeiro.

A gravidez correu bem, descobrem que é uma menina. Irá se chamar Ana.

Ana nasce cheia de mimos de ambas as famílias e parece a felicidade do casal não poderia ser maior.

Até que…

Puxa, mas toda história tem que ter isso? Infelizmente, sim! A vida real não é linear e tão perfeita como em nossos sonhos… Uma pena!

Logo logo, Luiza percebe que Paulo não tem paciência nenhuma para cuidar de Ana. O parto foi por cesárea, portanto, ela está operada e cheia de pontos e mesmo assim, Paulo não “ajuda” em quase nada. O tempo todo repete que não tem experiência, que tem receio de machucar a bebê e fica lá longe assistindo netflix e jogando vídeo game.

Luiza releva, afinal, é uma situação nova para ambos e talvez ele ainda não tenha conseguido acordar para a nova realidade.

Mas o tempo vai passando e ele continua com o mesmo comportamento. Luiza praticamente não dorme porque a neném acorda muitas vezes para mamar a noite. Eles só tem uma ajudante uma vez por semana, então,  ela ainda tem que dar conta da casa, fazer almoço, cuidar da bebê e Paulo não mudou sua rotina em NADA!

Luiza vai se sentindo cada vez mais cansada, conversa com Paulo, ele diz que vai melhorar, o que até ocorre durante dez dias e logo logo, tudo volta à rotina anterior.

Isso passa a ser motivo de brigas homéricas entre o casal e logo depois do aniversário de um ano de Ana, Luiza diz que não aguenta mais, que não imaginava que Paulo fosse tão egoísta, narcisista e individualista, diz que não quer continuar casada com um homem assim e então, pede o divórcio.

Ele nem se assusta, sabe por quê? No fundo no fundo, era isso o que ele queria. Não gostou dessa vida cheia de responsabilidades de homem casado, ainda mais com uma criança que suga toda a energia dele. Ele percebeu que não paciência nenhuma e nem se dispõe a deixar o que gosta de fazer em prol da família.

Foi um choque para as famílias, mas, não tinham o que fazer nem como interferir na decisão do casal.

Restou resolver as questões práticas, concernentes à partilha dos móveis, do carro e da pensão alimentícia.

A partilha não teve nenhuma discórdia. O problema foi  na hora de estabelecerem a pensão.

Como não tinham casa própria, Luiza mora de aluguel e fez uma planilha com todas as despesas da casa e da Ana para dividir com ele e ele não aceitou de forma alguma!

Disse que as despesas da casa, ela tinha que arcar sozinha, afinal, ele também teria despesas para morar.

Uhmmm, só que não é bem assim!

Luiza mora com Ana, filha do casal. Logo, o aluguel (e demais despesas da casa) são para duas pessoas. E as despesas de Ana, são de responsabilidade tanto de Luiza, quanto de Paulo, pois ambos são os pais da criança.

Logo, a parte de Ana, tinha que ser dividida por dois, metade para Luiza e metade para Paulo.

Luiza até fez uma planilha para Paulo entender com mais facilidade.

As despesas da casa, somado aluguel, condomínio, energia, faxineira, internet, tv a cabo, e parte do supermercado, davam três mil reais. Destes três mil, mil e quinhentos eram a parte de Ana. Logo, R$ 750,00 eram de responsabilidade de Paulo e R$ 750,00 responsabilidade de Luiza.

Além dos R$ 750,00 concernentes às despesas de casa, Ana precisava ir para a creche, senão, Luiza não tinha como continuar trabalhando. Portanto, ainda havia as despesas com creche, fralda, leite, plano de saúde e outras eventuais, como medicamentos, roupas, calçado e algum brinquedinho.

Nossa, quando Paulo viu isso, ele quicou! Disse que não tinha condições, que o rendimento dele não era suficiente para arcar com isso e ainda pagar as próprias despesas e que o máximo que conseguiria pagar seria um salário mínimo.

Luiza não aceitou.

Em oito anos de namoro e um de casamento, ela sabia muito bem qual era a renda de Paulo.

Ele trabalhava na empresa do pai e tinha a carteira de trabalho assinada com três salários mínimos, mas ganhava pelo menos 5 vezes mais por fora.

Isso, inclusive era evidente para qualquer um, pois tinha acabado de dar entrada em um apartamento de alto padrão em um bom bairro da cidade, tinha um carro de luxo, viajava muito, sempre tinha o iphone última geração,  ou seja… Impossível que vivesse apenas com 3 salários!

O que Luiza fez então? Contratou um bom advogado, que conseguiu por meio de evidências da vida de Paulo demonstrar no processo que a alegação dele de que ganhava apenas 3 salários mínimos era inverídica, pois incompatível com o padrão de vida que ele ostentava.

Com todas as evidências, o juiz fixou a pensão no valor justo, que realmente arcava com metade das despesas da criança e Luiza finalmente, teve paz em sua vida, pois desde o nascimento de Ana, ela viveu conflitos muito fortes, seja por descobrir que o homem que escolhera era totalmente diferente do que pensava, seja pela precoce separação e no fim, pela desavença em relação à pensão alimentícia.

Bem fez Luiza ao lutar e garantir para a filha o que ela tinha direito. Afinal, seria justo Paulo continuar com vida de jovenzinho descompromissado, gastando dinheiro às turras, enquanto a filha passava necessidade? Óbvio que não!

Com isso, Luiza aprende que jamais deve deixar  de consultar um advogado de sua confiança quando tiver situações de conflito pois isso pode mudar a sua história.

Por fim, é sempre bom lembrar…Filho não é responsabilidade apenas da mãe. Nem apenas do pai. Filho é dos DOIS. E a despesa dele também. Não esqueçam jamais disso!

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P.S.: Embora parece real, trata-se de uma história fictícia, e o gênero do pai e mãe podem ser invertidos.   Apenas escrevi desta forma, porque em 22 anos de experiência, 99% dos casos, os filhos vivem com a mãe e é  o pai que  paga a pensão.

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